A
ÁGUA E A FOTOSSÍNTESE
A
água é o fator preponderante em toda a fisiologia de uma
planta, participando efetivamente da nutrição e crescimento
vegetais. Uma planta está formada principalmente por água,
representando desde cerca de 80% em suas folhas e raízes até
50% em outras partes como o tronco. Porém, a água não
está em forma estática, mas circula pelo interior da planta.

Circulação
da água
A água é captada pelas zonas pilíferas das raízes,
que originam uma diferença de potencial osmótico que “empurra”
a água para as folhas. As folhas, quando os estômatos estão
abertos, evaporam água através deles. Este processo é
denominado transpiração. Este vapor de água se
dispersa na atmosfera. A falta de água nas folhas origina uma
pressão interna menor, que “puxa” a água proveniente
das raízes.
O principal motor para a ascensão da água está
na transpiração. O “empuxo” desde as raízes
tem uma relevância menor como causa desta circulação.
Portanto, a questão principal está nos estômatos
abertos ou fechados.
Durante a noite, os estômatos se fecham e a folha não transpira.
Entretanto, as raízes seguem criando a pressão que “empurra”
a água para cima, e um pouco de água sai pelas folhas
para aliviar o excesso de pressão. Se a atmosfera está
úmida, se observam umas gotas nas bordas das folhas – a
isto se denomina “gutação”, processo que tem
uma importância secundária.
Quando não chega suficiente água nas folhas, estas murcham
(diminui a pressão interna da água), por conta da perda
da turgescência das células vegetais, e os estômatos
se fecham total ou parcialmente. Este é um mecanismo de autodefesa
de resultados limitados. Se a uma planta lhe falta um pouco de água,
ela se protege automaticamente contra mais perdas, se lhe falta muita
água ela sofrerá e finalmente morrerá.
A temperatura elevada, o vento e a baixa umidade atmosférica
aceleram a evaporação da água. Em dias sob tais
condições, deve-se estar mais atento às necessidades
de água das plantas. Ainda que um terreno contenha bastante água,
pode ser que esta não chegue com suficiente rapidez às
folhas. Dessa forma, deverá ser criado um micro clima de umidade
ao redor da planta.
A água circulante cumpre três finalidades:
•
Refrigeração das folhas – Para que cada grama de
água passe do estado líquido ao estado de vapor é
necessário absorver de uma vez 540 calorias das folhas, que com
isto se esfriam. Se destacarmos, a título de experiência,
uma folha e a deixarmos exposta ao sol de verão e, dentro de
poucos minutos, a juntarmos a uma folha não cortada da planta,
se notará uma grande diferença de temperatura, sendo que
a folha cortada estará quente enquanto a folha da planta permanecerá
fria.
• Transporte interno de nutrientes captados pelas raízes
– Os elementos Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio
(K), além de outros como Ferro (Fe), viajam dissolvidos na água
que provém das raízes e chegam a todas as partes pelos
vasos condutores da planta.
• Fotossíntese – A água é imprescindível
nos processos fotossintéticos, como será visto mais adiante.
A quantidade de água que intervém na fotossíntese
é da ordem de 2% do total utilizado, sendo o resto utilizado
para refrigeração (transpiração).
O Processo
Entradas
Proveniente da atmosfera: Oxigênio para respirar e dióxido
de carbono para a fotossíntese.
Proveniente das raízes: Água e elementos minerais (micro
e macro elementos), esta água se utiliza para diversas finalidades.
Saídas
Para a atmosfera: Oxigênio da fotossíntese, dióxido
de carbono da respiração e grande quantidade de água
da transpiração. Uma pequena fração da água
é utilizada como solvente dos produtos da fotossíntese,
sendo conduzida a outras partes da planta.
Fotossíntese
A fotossíntese é um fenômeno muito complexo, sendo
desnecessário descrevê-lo aqui com o máximo de detalhes,
mesmo porque ainda hoje existem lacunas em seu conhecimento. Em síntese,
as informações mais importantes serão descritas
a seguir:
Com a ajuda imprescindível da energia luminosa e da clorofila,
processa-se nas folhas e partes verdes de uma planta a síntese
de açúcares (glicose), hidratos de carbono (amido) e outras
substâncias a partir de CO2 (dióxido de carbono), proveniente
do ar atmosférico e que penetra na planta através dos
estômatos, e do H2O (água), que vem das raízes.
Se os estômatos estão fechados, o CO2 não penetra
nas folhas e, portanto, não há crescimento.
A madeira, dessa forma, não é mais que um composto de
carbono, sendo que este carbono não provém da terra, mas
sim do CO2 do ar atmosférico.
O crescimento de uma planta depende da otimização dos
seguintes parâmetros que estão inter-relacionados e podem
ter expressões não lineares:
Tamanho da planta – Uma planta bem desenvolvida pode obter crescimentos
maiores porque sua zona de produção é maior (algumas
substâncias produzidas em folhas adultas são relocadas
e alimentam um novo crescimento, sem necessidade de consumo de elementos
externos).
Aproveitamento da água – As raízes devem absorver
água na velocidade requerida pela planta.
Abertura dos estômatos – Os estômatos são abertos
se há luz e água suficientes.
Intensidade da luz – Cada planta tem um limite diferente para
intensidade luminosa e comprimentos de onda. Por outro lado, a luz excessiva
provoca redução na fotossíntese.
Temperatura – Temperaturas muito altas danificam substâncias
internas da planta – a exemplo das enzimas – necessárias
para a fotossíntese. Por isto muitas plantas param de crescer
durante o verão.
Disponibilidade de CO2 – Não deverá exceder nem
ser inferior ao necessário.
Conforme aludido anteriormente, estes parâmetros estão
inter-relacionados. Se há muita água e falta luz, ou os
estômatos estão abertos e falta CO2, a planta não
alcança suas condições ótimas. Além
disso, as curvas de muitos parâmetros têm a forma do gráfico
ilustrado a seguir, onde se verifica uma queda a partir do ponto ótimo,
além do qual as condições já não
são satisfatórias (excesso).
Na fotossíntese, podem ser individualizadas várias etapas:
•
Fotólise da água (a água se decompõe em
hidrogênio e oxigênio)
•
Combinação do hidrogênio da água com o CO2
do ar.
•
Transformação em glicose (com auxílio do fosfato
proveniente do solo)
Nos tópicos
seguintes, serão abordados os balanços da fotossíntese
em toda a planta.
Respiração
Além dos fenômenos anteriores de transpiração
e fotossíntese, todas as partes da planta (inclusive as raízes)
necessitam respirar. Para isto, absorvem O2 (oxigênio) do ar atmosférico
e desprendem CO2 e H2O. Por isto é essencial que as raízes
se desenvolvam em um substrato poroso, que permita a penetração
do ar e a infiltração da água, não permanecendo
encharcado por muito tempo.
Não considerar a respiração das raízes conduz
a muitos fracassos. Para citar um exemplo, os vasos de cerâmica
porosa têm melhor comportamento que os de plástico, porém
não são recomendados em casos em que não se pode
regar com maior freqüência, exceto plantas xerófilas.
Balanços
Em uma folha, penetram através dos estômatos O2 e CO2 provenientes
da atmosfera, e H2O (com nutrientes) através das raízes.
São liberados O2, CO2 e H2O, que vão para a atmosfera.
Uma pequena quantidade de água é devolvida ao resto da
planta como solvente dos produtos da síntese que se processou
nas folhas.
Tem-se observado que o O2 que ingressa na planta é utilizado
para a respiração durante as 24 horas do dia. O carbono
e o oxigênio do CO2, por outro lado, são utilizados para
a fotossíntese somente enquanto houver luz solar. O O2 liberado
provém da fotólise da água causada pela fotossíntese.
O CO2 expelido provém da respiração. O H2O liberado
provém da transpiração e não tem praticamente
nenhuma relação com a fotossíntese.
A soma dos volumes de O2 mais CO2 que entram na planta é praticamente
igual à soma dos volumes dos mesmos gases que saem, porém
com a peculiaridade de que o volume de O2 que sai é algo maior
que o volume de CO2 que entra, daí resulta o claro efeito “purificador”
do ar que as plantas possuem.
Estômatos
Os estômatos (estômato = boca) são pequeníssimas
aberturas que se encontram principalmente nas bordas das folhas. Estes
poros se abrem quando há luz suficiente, para permitir a entrada
de CO2 ao interior da folha e deixar sair o vapor de água proveniente
da transpiração. Os estômatos se fecham quando não
há luz suficiente ou quando a planta corre o risco de secar por
não chegar água suficiente nas folhas. Se estiverem fechados,
os mecanismos de crescimento não funcionam e a planta não
cresce; se permanecerem abertos muito tempo, a planta cresce mais. Os
estômatos não são elementos binários, porque
é possível que alcancem estados intermediários
de abertura.
Fonte:
Julio Guri
Barcelona-Espanha